Cabo Verde
Código Telefônico
+238
Capital
Praia
População
555.988 (2020)
Idiomas
português · crioulo cabo-verdiano
Área
4.033 km²
Eletricidade
220 V
Tipos de tomada
Europlug · Schuko
Mão de direção
direita
Nome Nativo
Cabo Verde
Região
África
África Ocidental
Fuso Horário
Horário Padrão de Cabo Verde
UTC-01:00
Nesta página
Cabo Verde é um arquipélago atlântico de dez ilhas vulcânicas ao largo da costa da África Ocidental, conhecido pelo sol o ano inteiro, pelas paisagens vulcânicas, pelas praias e pela vibrante música cabo-verdiana (morna e coladeira). Praia, na ilha de Santiago, é a capital. Os visitantes se encantam com as praias e os esportes náuticos da ilha do Sal, as dunas e as tartarugas-marinhas da Boa Vista, as trilhas dramáticas de Santo Antão, o vulcão ativo do Fogo, a cena musical de Mindelo (São Vicente) e a cultura crioula que mistura raízes africanas e portuguesas. Para o viajante brasileiro e português, há um laço especial: Cabo Verde é um país de língua portuguesa e membro da CPLP, o que aproxima a língua, a música e a hospitalidade. As condições para windsurf, kitesurf e descanso na praia estão entre as melhores do Atlântico.
Regras de entrada em Cabo Verde
Cabo Verde adotou um sistema simplificado: em vez de visto, a maioria dos visitantes faz apenas o pré-registro on-line no sistema EASE, obrigatório e concluído em até 5 dias antes da partida, com o pagamento de uma taxa de segurança aeroportuária (cerca de € 30). O registro gera um código de confirmação para apresentar no check-in e na imigração. Cidadãos da União Europeia — entre eles os portugueses — e dos países da CPLP, comunidade da qual o Brasil faz parte, costumam entrar sem visto, cumprindo apenas o EASE e a taxa. Importante: as regras de visto por nacionalidade foram revistas e continuam a variar conforme o passaporte; confirme o requisito atual do seu no portal oficial de entrada antes de viajar. O passaporte deve ter validade de pelo menos seis meses além da saída, com páginas em branco. Cidadãos da CEDEAO entram sem visto por até 30 dias (o EASE continua obrigatório).
Tipos de visto comuns
Pré-registro EASE + entrada simplificada
Para a maioria dos turistas, incluindo brasileiros e portugueses, que em geral entram sem visto. Faça o pré-registro on-line no EASE antes de viajar, pague a taxa de segurança e receba o código de confirmação para apresentar na chegada.
Entrada sem visto (CEDEAO)
Para cidadãos dos países da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) em turismo, negócios ou visita.
Visto de longa duração
Para estadas acima do período turístico — trabalho, estudo, residência ou turismo prolongado nas ilhas. Solicitado numa embaixada de Cabo Verde antes da viagem.
Informações importantes para viajar a Cabo Verde
•Pré-registro EASE obrigatório: todos os...
•Brasileiros e portugueses costumam entrar...
•Passaporte: validade mínima de 6...
•Voos entre ilhas: voos domésticos...
•Moeda: o escudo cabo-verdiano (CVE),...
•Idioma: o português é a...
•Destino de ano inteiro: a...
•A música é central: morna,...
Cabo Verde são dez ilhas vulcânicas no meio do Atlântico, a cerca de seiscentos quilômetros da costa da África Ocidental, e cada ilha é como um país em miniatura. Sal e Boa Vista são as ilhas-resort — planas, ensolaradas, orladas de areia dourada e varridas pelos ventos alísios que as tornam dois dos melhores destinos do mundo para kitesurf e windsurf; as tartarugas-cabeçudas desovam nas praias remotas da Boa Vista de julho a outubro. Santo Antão, alcançada de balsa a partir de São Vicente, é uma ilha-montanha de gargantas vertiginosas, vales em socalcos, floresta de nuvens e antigas calçadas de pedra — um dos melhores destinos de caminhada de toda a Macaronésia. O Fogo é dominado pelo cone simétrico do Pico do Fogo (2 829 metros), um vulcão ativo cuja última erupção, em 2014-2015, soterrou parte da aldeia de Chã das Caldeiras, dentro da cratera — os moradores voltaram, reconstruíram e ainda cultivam vinho, café e maçãs no solo vulcânico a 1 700 metros de altitude. São Vicente e a capital, Mindelo, são o coração cultural do arquipélago: morna em cada bar à beira-mar, o espírito de Cesária Évora no ar, um Carnaval em fevereiro que rivaliza com qualquer um do Brasil na intimidade e uma vida noturna cosmopolita que atrai músicos de todo o mundo lusófono. Santiago, a maior ilha, é a de caráter mais africano — a Cidade Velha (Patrimônio da UNESCO), primeiro povoamento europeu permanente nos trópicos, fica a quinze minutos da capital, Praia. A cultura crioula que costura tudo isso — a sodade, a cachupa, a língua crioula que não é nem portuguesa nem africana, mas algo inteiramente próprio — é o que fica com o visitante muito depois de o bronzeado desaparecer.
Descubra Cabo Verde
Escolher a ilha é a decisão que define a viagem
Cabo Verde não é um destino, são dez, e a frustração de quem chega mal informado nasce sempre da mesma origem: escolher a ilha errada para o que se queria fazer. Sal e Boa Vista são planas, secas e feitas para praia, vento e resorts — quem procura caminhada não a encontra ali. Santo Antão é o oposto exato, uma ilha vertical de vales em socalcos e calçadas de pedra, sem aeroporto próprio e sem praia digna desse nome. O Fogo é o vulcão e a aldeia dentro da cratera. São Vicente é música e vida urbana, e resolve-se em dois dias. Santiago é a ilha mais africana, com a capital e a história do arquipélago. Combine duas que se completem — praia com montanha, música com vulcão — em vez de tentar ver todas.
Saltar de ilha em ilha: o que realmente demora
As ligações internas são o que decide se o roteiro cabe nos dias disponíveis. Os voos domésticos ligam as ilhas principais e resolvem quase tudo, mas são poucos por dia e enchem na temporada alta, pelo que se reservam com bastante antecedência e não à chegada. As ligações marítimas existem e são a via natural entre São Vicente e Santo Antão, uma travessia de cerca de uma hora que funciona bem; nas restantes rotas, os horários são pouco fiáveis e o mar do Atlântico não perdoa quem tem voo internacional no dia seguinte. Duas regras poupam viagens inteiras: nunca marcar a última ligação interna para o próprio dia do voo de regresso, e reservar sempre uma noite de folga na ilha do aeroporto internacional antes de partir.
Português, crioulo e o que o ouvido lusófono encontra
O viajante brasileiro ou português chega a Cabo Verde à espera de entender tudo e depara-se com uma surpresa a meio caminho. O português é a língua oficial, usada na escola, na imprensa, nos serviços e com qualquer visitante — nisso não há dificuldade nenhuma. Mas a língua da rua, da casa, da piada e da canção é o crioulo cabo-verdiano, que nasceu do português e de línguas africanas e é um idioma próprio, não um sotaque: reconhecem-se palavras soltas e perde-se a frase. A cortesia local resolve tudo, porque a troca para português é imediata e feita com naturalidade. Vale ouvir sem pressa, porque é no crioulo que estão a morna, a sodade e o humor das ilhas — e aprender uma ou duas expressões é recebido com genuíno prazer.
Chã das Caldeiras: viver dentro de um vulcão
Poucos lugares no mundo contam uma história como a da aldeia que fica dentro da cratera do Fogo. A erupção de 2014-2015 soterrou parte de Chã das Caldeiras, e os moradores voltaram para reconstruir sobre a própria lava, onde seguem cultivando videiras, café e macieiras a cerca de 1 700 metros de altitude — o vinho que dali sai é produzido em quantidades mínimas e não se parece com nenhum outro do Atlântico. A subida ao Pico do Fogo, a 2 829 metros, leva cinco a seis horas entre ida e volta, faz-se com guia obrigatório e atravessa uma paisagem de escória e fluxos de lava sem sombra nenhuma: parte-se de madrugada, com água, protetor solar e calçado fechado que aguente terreno solto. Dormir na aldeia, e não só passar por ela, é o que transforma a visita.
Tartarugas: a temporada e as regras
Entre julho e outubro, as praias mais remotas da Boa Vista recebem uma das maiores concentrações de desova de tartaruga-cabeçuda do Atlântico, e assistir a uma postura é das experiências mais fortes que o arquipélago oferece. Faz-se sempre com projetos e operadores autorizados, em passeios noturnos com protocolo de conservação: sem luz branca, sem flash, sem tocar nos animais e a uma distância definida por quem acompanha. Ir por conta própria à praia à noite não é aventura, é interferência — as fêmeas abandonam a postura se forem perturbadas, e as crias desorientam-se com qualquer luz artificial. Fora da temporada, as mesmas praias continuam a valer a manhã inteira, vazias, para quem quer areia sem ninguém.
À mesa: cachupa, peixe e grogue
A cozinha cabo-verdiana é de base simples e de sabor longo, e organiza-se em torno de um prato nacional que muda de forma ao longo do dia: a cachupa, guisado de milho, feijão e o que a ilha tiver, servida à refeição e reaproveitada de manhã, refogada e com ovo, no pequeno-almoço que os locais consideram o melhor da semana. O resto vem do mar — atum, garoupa, lagosta em ilhas onde é abundante, quase sempre grelhado sem cerimónia. O grogue, aguardente de cana destilada sobretudo em Santo Antão, é a bebida da casa, e o ponche, a sua versão com mel e limão, resolve o fim do jantar. E há o café do Fogo, cultivado no solo vulcânico da cratera em quantidade pequena, que é a lembrança mais fácil de trazer na mala.
Formas de explorar este destino
A praia de Santa Maria, no Sal, estende dois quilômetros de areia dourada com escolas de kitesurf, operadoras de esportes náuticos e restaurantes à beira-mar; Ponta Preta e a Kite Beach oferecem condições de classe mundial, com ventos alísios constantes de 15 a 25 nós. As salinas de Pedra de Lume, dentro de uma cratera vulcânica, deixam você flutuar numa salmoura mais densa que a do Mar Morto. A Boa Vista tem praias mais longas e vazias — Praia de Chaves e Santa Mónica —, onde as tartarugas-cabeçudas desovam de julho a outubro; excursões noturnas guiadas observam a postura dos ovos sob protocolos de conservação.
Santo Antão oferece o melhor trekking de Cabo Verde e um dos melhores dos arquipélagos da Macaronésia. O Vale do Paul desce por socalcos de cana-de-açúcar, bananais e destilarias de grogue (a aguardente local). A cratera da Cova — uma antiga caldeira virada mosaico agrícola — marca o início de trilhas que descem a Ribeira Grande por antigas calçadas de pedra. Ponta do Sol liga-se a Fontainhas, um vilarejo agarrado às falésias acima do Atlântico, um dos povoados mais fotografados de Cabo Verde. Caminhadas de três a sete horas, guia recomendado. Acesso por balsa de uma hora a partir de Mindelo.
O Pico do Fogo (2 829 metros) é um estratovulcão ativo cujo cone quase perfeito domina a ilha. A subida de cinco a seis horas (ida e volta, com guia obrigatório) cruza uma paisagem lunar de fluxos de lava e escória até a borda da cratera, com vistas de todo o arquipélago. Dentro da caldeira, a aldeia de Chã das Caldeiras foi parcialmente soterrada pela erupção de 2014-2015 — os moradores voltaram para reconstruir entre a lava e seguem cultivando uvas, café e maçãs a 1 700 metros. O vinho do Fogo, produzido em quantidades mínimas neste vinhedo de outro mundo, é um dos mais raros e singulares do Atlântico.
Mindelo, em São Vicente, é o berço da sodade — a saudade cabo-verdiana expressa pela morna, levada ao mundo por Cesária Évora (a morna é Patrimônio Imaterial da UNESCO desde 2019). Bares como o Café Musique e a Casa da Morna têm música ao vivo todas as noites: morna, coladeira, funaná e batuque. O Carnaval de Mindelo (fevereiro-março) é a festa mais espetacular do arquipélago — blocos fantasiados, percussão e dança por ruas que parecem um Rio de bolso. A música não é uma apresentação para turistas em Cabo Verde — é o tecido social.
Santiago é a maior, a mais povoada e a de caráter mais africano das ilhas. A Cidade Velha (Patrimônio Mundial da UNESCO), a quinze minutos de Praia, foi o primeiro povoamento europeu permanente nos trópicos (1462) e um importante entreposto histórico do Atlântico — o pelourinho, a Fortaleza Real de São Filipe e a igreja de Nossa Senhora do Rosário guardam essa memória. O Mercado de Sucupira, em Praia, transborda tecidos, especiarias e música. O batuque — canto e dança percussivos das mulheres de Santiago — é uma expressão cultural que segue vibrantemente viva.
Dinheiro e moeda
Escudo cabo-verdiano (CVE)
Código da moeda: CVE
Dicas práticas sobre dinheiro
Escudo cabo-verdiano (CVE) — atrelado ao euro
A moeda de Cabo Verde é o escudo cabo-verdiano (CVE), atrelado ao euro à taxa fixa de 1 euro = 110,265 escudos, o que torna a conversão bem simples. O euro é amplamente aceito nas áreas turísticas, sobretudo no Sal e na Boa Vista, mas o troco costuma vir em escudos e com câmbio um pouco menos favorável — para o melhor valor, pague em CVE ou no cartão. Troque euros nos bancos das cidades maiores, como a Caixa Económica de Cabo Verde e o Banco Comercial do Atlântico, em Praia, Mindelo e Santa Maria; evite os balcões de aeroporto e os hotéis, de taxas piores. Para o viajante brasileiro, o euro é a moeda mais prática de levar (o real não circula lá); lembre-se do IOF sobre compras e saques internacionais.
Caixas eletrônicos nas ilhas principais
Há caixas eletrônicos nas cidades principais de cada ilha povoada — sobretudo em Praia (Santiago), Mindelo (São Vicente), Santa Maria (Sal) e Sal Rei (Boa Vista) —, e eles aceitam Visa e Mastercard internacionais. Atenção a dois pontos: os caixas podem ficar com pouco dinheiro nos fins de semana, e as ilhas menores e áreas remotas têm cobertura limitada ou nula. Saque escudos suficientes antes de seguir para ilhas ou regiões menos desenvolvidas. Ao sacar, escolha sempre cobrar em escudos (recuse a conversão para a sua moeda) para evitar o ágio da conversão dinâmica.
Cartões nas áreas turísticas; dinheiro para o resto
Os cartões são aceitos em resorts, hotéis, restaurantes maiores e estabelecimentos voltados ao turismo, sobretudo no Sal e na Boa Vista; o Visa é o mais aceito, seguido do Mastercard, e o pagamento por aproximação (contactless) cresce nos pontos turísticos. Já lojas pequenas, restaurantes locais, mercados e táxis funcionam só com dinheiro, então tenha sempre escudos em espécie para os gastos do dia a dia fora das zonas de resort. Para cartões brasileiros, avise seu banco antes da viagem e some o IOF sobre saques e operações internacionais ao orçamento.
Quanto custa e gorjeta
Cabo Verde tem preços moderados para um destino insular. Estimativas: viajantes econômicos se viram com € 40 a € 60 por dia; na faixa média, de € 80 a € 150 diários já se tem hotéis confortáveis e bons restaurantes; os resorts com tudo incluído no Sal e na Boa Vista podem passar de € 200 por dia. Comida local e transporte são baratos; os produtos importados custam mais. Gorjeta é apreciada, mas não obrigatória: em restaurantes, arredonde ou deixe de 5% a 10% (verifique se a taxa de serviço já vem incluída); carregadores de hotel, de 100 a 200 escudos por mala; guias de turismo, de 500 a 1 000 escudos por dia.
Nota: Verifique sempre as taxas de câmbio atuais antes de viajar. Pode trocar dinheiro em aeroportos, bancos e casas de câmbio autorizadas.
Qual é a moeda de Cabo Verde?
Posso pagar em euros em Cabo Verde?
Preciso trocar dinheiro antes de viajar?
Os caixas eletrônicos são fáceis de encontrar?
Qual a melhor forma de obter dinheiro em Cabo Verde?
Meu cartão brasileiro funciona? E o IOF?
Cabo Verde é um destino caro?
O pagamento por aproximação é aceito em Cabo Verde?
Missões acreditadas para Cabo Verde
Brasileiros e portugueses precisam de visto para Cabo Verde?
Em regra não, para turismo: os portugueses pela via da União Europeia e da CPLP e os brasileiros pela CPLP costumam entrar sem visto. Isso não significa, porém, entrar sem tratar de nada — o pré-registro EASE é obrigatório para toda a gente, isenta ou não, e sem o código de confirmação o embarque pode ser recusado no aeroporto de partida. O passaporte precisa de seis meses de validade para além da data de saída e de páginas em branco para os carimbos. Como as regras por nacionalidade foram revistas e continuam a variar, confirme o requisito atual do seu passaporte no portal oficial de entrada antes de comprar a passagem — sobretudo se viajar com passaporte de outro país lusófono.
O que é o EASE e quando devo fazê-lo?
É o pré-registro on-line que substituiu o visto para a maioria dos visitantes, e funciona como uma autorização prévia associada ao passaporte. Faz-se até cinco dias antes da partida, inclui o pagamento da taxa de segurança aeroportuária e gera um código de confirmação que se apresenta duas vezes: no check-in da companhia aérea e na imigração à chegada. Guarde-o impresso e no telefone, porque a rede nos aeroportos das ilhas nem sempre coopera. Vale tratar disto assim que os voos estiverem comprados e não na véspera: o prazo de cinco dias é o limite, não a recomendação, e deixar para o fim é o erro mais comum de quem viaja em família e tem vários registros para fazer.
Qual ilha devo escolher?
Depende inteiramente do tipo de viagem, porque as ilhas não são variações da mesma coisa. Para praia, vento e resorts, Sal e Boa Vista — a segunda mais vazia e mais longa de areia, e a das tartarugas entre julho e outubro. Para caminhar, Santo Antão, sem discussão: vales em socalcos, calçadas de pedra e alguns dos melhores trilhos da Macaronésia. Para o vulcão e o vinho de cratera, o Fogo. Para música ao vivo todas as noites e para o Carnaval, São Vicente e a sua Mindelo. Para história e para a ilha mais africana do arquipélago, Santiago, onde fica a capital e a Cidade Velha. O par mais equilibrado para uma primeira viagem costuma ser uma ilha de praia com uma ilha de montanha.
Quantas ilhas dá para conhecer numa semana?
Duas, com calma, ou três se a semana for larga e as ligações ajudarem — e essa contenção é o melhor conselho que se pode dar sobre Cabo Verde. Cada mudança de ilha consome meio dia entre transferes, espera e viagem, e as ligações internas não são frequentes o suficiente para se tratarem como autocarros. Um roteiro de sete dias que funciona bem: quatro noites numa ilha principal e três noutra, com o regresso planeado a partir da ilha que tem o voo internacional. Quem tiver dez dias já consegue juntar São Vicente e Santo Antão ao par inicial sem correr. Tentar cinco ilhas numa semana é passar a semana em salas de embarque.
Como se viaja entre as ilhas?
Sobretudo de avião. Os voos domésticos ligam as ilhas principais e são a única forma prática de cobrir distâncias como Sal a Fogo ou Boa Vista a São Vicente; reserve com antecedência na temporada alta, porque os aparelhos são pequenos e enchem. As ligações marítimas cobrem algumas rotas, e a de São Vicente para Santo Antão, com cerca de uma hora de travessia, é a exceção fiável e a via normal de acesso à ilha das montanhas. Nas restantes, os horários mudam e o estado do mar manda. A regra de ouro é logística: deixe sempre uma noite de folga na ilha de onde parte o voo internacional, para que um cancelamento interno não lhe custe a viagem de volta.
O português é suficiente?
É, para tudo o que a viagem exige. O português é a língua oficial e resolve serviços, hotéis, restaurantes, transportes e qualquer conversa com um visitante. O que convém saber de antemão é que a língua do quotidiano é o crioulo cabo-verdiano, um idioma próprio nascido do português e de línguas africanas — não é sotaque nem português mal falado, e é normal reconhecer palavras e perder o sentido da frase. A troca para português acontece com naturalidade assim que se percebe que se está a falar com alguém de fora. Para o viajante lusófono, esta é aliás uma das grandes vantagens do destino: entende-se, negoceia-se e conversa-se sem intermediários, do mercado ao barco.
Qual é a melhor época para ir?
Cabo Verde é um destino de ano inteiro, o que é raro no Atlântico, e a estação seca — de novembro a junho — traz o melhor tempo, com os ventos alísios a manter o calor confortável. Dentro disso, o calendário tem marcações próprias: os alísios sopram com constância ao longo da estação seca, que é a janela dos desportos de vento no Sal e na Boa Vista, a desova das tartarugas na Boa Vista acontece entre julho e outubro, e o Carnaval de Mindelo cai entre fevereiro e março. Para caminhar em Santo Antão, evite os meses mais húmidos de agosto e setembro, quando as chuvas tornam as calçadas escorregadias. O arquipélago fica fora da rota habitual dos furacões do Atlântico.
Levo euros ou moeda local?
As duas coisas, e a boa notícia é que a conta é fácil de fazer de cabeça. A moeda nacional é o escudo cabo-verdiano, com câmbio fixo ao euro, o que elimina a incerteza cambial que existe noutros destinos africanos — e o euro é aceite em grande parte do comércio turístico. Ainda assim, pagar em escudos costuma dar melhor valor fora dos resorts, e há muitos sítios, sobretudo nas ilhas menores e nos transportes locais, onde só há dinheiro vivo. As caixas automáticas existem nas ilhas principais, mas podem ficar sem notas ao fim de semana e são escassas em Santo Antão e no Fogo: levante na ilha grande antes de seguir para as pequenas e não conte com cartão fora dos hotéis.
A Visaja mantém em revisão contínua os contatos e as informações de visto desta página; ainda assim, as exigências mudam sem aviso — confirme o essencial com a missão ou o portal oficial antes de viajar.