Estados Unidos
Os Estados Unidos ocupam um continente de extremos — do horizonte de Nova York e dos polos de tecnologia da Califórnia à geologia ancestral do Grand Canyon, às maravilhas geotérmicas de Yellowstone, às praias do Havaí e à profundidade cultural de Nova Orleans. São cinquenta estados com leis próprias, um país que se organizou em torno do automóvel e das distâncias continentais, e uma das nações geograficamente mais diversas da Terra. Para quem viaja do Brasil ou de Portugal há boas ligações aéreas, concentradas sobretudo na Costa Leste, e uma diferença de entrada que vale saber desde já: o passaporte português viaja com autorização eletrônica pelo programa de isenção, enquanto o brasileiro exige visto obtido em consulado, com entrevista.
Vistos e regras de entrada nos Estados Unidos
O sistema americano é um dos mais complexos do mundo, e para leitores de língua portuguesa ele começa com uma divisão que muda tudo. Cidadãos brasileiros NÃO fazem parte do Programa de Isenção de Visto e precisam de visto obtido num consulado dos Estados Unidos, em geral o B-1/B-2 combinado, com formulário DS-160 preenchido on-line e entrevista presencial — e o tempo de espera por essa entrevista é o item que estraga mais viagens do que qualquer outro, porque varia muito e pode chegar a meses em certos consulados. Solicite cedo, antes de comprar passagem. Cidadãos portugueses, como os de mais de quarenta países do programa, viajam com uma autorização eletrônica solicitada on-line, sem ir ao consulado, para turismo ou negócios por até 90 dias por visita; peça-a com pelo menos 72 horas de antecedência, prefira uma folga maior, e saiba que ela vale por dois anos ou até o passaporte vencer, o que vier primeiro, e não é prorrogável — quem precisa de mais de 90 dias solicita o B-1/B-2 como qualquer outra nacionalidade. A taxa é definida pelo governo americano e deve ser conferida no portal oficial antes do pedido. As categorias de não imigrante mais comuns além do B-1/B-2 são as de estudo (F-1, J-1), que exigem aceitação numa instituição certificada, e as de trabalho (H-1B, L-1, O-1, E-2). Vale a regra que se aplica a todos igualmente: ter visto ou autorização válida NÃO garante a entrada — a admissão final cabe ao agente de fronteira na chegada, que pode perguntar sobre o motivo da viagem, a hospedagem e os recursos disponíveis. E exceder o prazo autorizado é levado a sério: pode resultar em deportação e em proibição de entrada futura, então cumpra à risca a data que o agente carimbar ou registrar.
Tipos de visto
Visto de visitante B-1/B-2 (exigido a brasileiros)
B-1 para negócios (reuniões, conferências, negociações) e B-2 para turismo, visita a familiares ou tratamento médico, em geral emitido como B-1/B-2 combinado. É o caminho para cidadãos brasileiros e para todas as nacionalidades fora do programa de isenção. Exige o formulário DS-160 preenchido on-line e entrevista presencial num consulado americano — marque cedo, porque a espera pela entrevista varia muito por posto e pode chegar a meses.
Autorização eletrônica de viagem (isenção de visto, inclui Portugal)
Turismo, reuniões de negócios e trânsito para cidadãos dos mais de quarenta países do Programa de Isenção de Visto, entre eles Portugal. Solicita-se on-line, sem ida ao consulado, e exige passaporte de leitura mecânica. Peça com pelo menos 72 horas de antecedência — mais folga é mais seguro, caso algum dado precise de correção.
Visto de estudante F-1
Estudo em tempo integral em universidades, faculdades e escolas de idiomas certificadas para receber estudantes estrangeiros. Exige o formulário I-20 emitido pela instituição, o pagamento da taxa do sistema de registro de estudantes e entrevista. Permite trabalho limitado no campus e, fora dele, apenas pelas modalidades de treinamento prático vinculadas ao curso.
Visto de intercâmbio J-1
Programas de intercâmbio cultural: au pair, trabalho de verão, estágio, trainee, professor ou pesquisador. Exige o formulário DS-2019 emitido por uma organização patrocinadora designada.
Visto H-1B (ocupação especializada)
Profissionais qualificados em ocupações que exigem diploma superior — tecnologia, engenharia, finanças, medicina, ciência, arquitetura, direito. É patrocinado pelo empregador e sujeito a cota anual distribuída por sorteio, o que torna o calendário do processo tão decisivo quanto a qualificação.
L-1 (transferência dentro da empresa)
Executivos, gerentes e funcionários com conhecimento especializado transferidos de um escritório no exterior para um escritório da mesma empresa nos Estados Unidos. Sem cota anual, o que o torna previsível de um jeito que o H-1B não é.
E-2 (investidor de tratado)
Para cidadãos de países que mantêm tratado de investimento com os Estados Unidos, que investem valor substancial num negócio americano e o dirigem ativamente. A elegibilidade depende do tratado da sua nacionalidade — confirme a situação do seu país antes de montar qualquer plano em torno desta via.
O-1 (habilidade extraordinária)
Para pessoas com habilidade extraordinária em ciência, arte, educação, negócios, esporte ou na indústria de cinema e televisão. Exige prova de reconhecimento nacional ou internacional sustentado, documentada de forma substancial.
Guias
Os Estados Unidos são grandes de um jeito que estraga roteiros: de Nova York a Los Angeles vai a distância de Lisboa ao Cairo, e a primeira viagem funciona melhor escolhendo uma região e deixando-a respirar. O Nordeste entrega quatro grandes cidades numa linha de trem e é o encaixe natural de quem chega do Brasil ou de Portugal; o Sudoeste entrega o país dos cânions em circuito de carro; o Sul entrega a estrada da música, de Nashville a Nova Orleans. Por cima de qualquer uma delas correm três coisas que o país faz melhor do que quase todo mundo: parques nacionais em escala continental, cozinhas regionais que não se parecem entre si e cidades onde a música ao vivo é rotina, não evento.
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Perguntas frequentes
Brasileiros precisam de visto para os Estados Unidos?
Precisam. O Brasil não faz parte do Programa de Isenção de Visto, então o caminho é o visto de visitante B-1/B-2, obtido num consulado dos Estados Unidos com formulário DS-160 preenchido on-line e entrevista presencial. O ponto crítico não é a papelada, é o calendário: o tempo de espera pela entrevista varia muito por consulado e pode chegar a meses, então solicite bem antes de comprar passagem. Cidadãos portugueses seguem o caminho da autorização eletrônica, sem consulado.
Com quanta antecedência solicitar a autorização eletrônica de viagem?
Pelo menos 72 horas antes da viagem, embora pedir com mais folga seja mais seguro caso haja atraso ou seja preciso corrigir algum dado. A autorização vale por dois anos ou até o passaporte vencer, o que vier primeiro, e não pode ser prorrogada além do limite de 90 dias por visita — quem precisa de mais tempo solicita o visto B-1/B-2 como qualquer outra nacionalidade.
Ter visto ou autorização garante a entrada nos EUA?
Não. A admissão final fica sempre a critério do agente de fronteira no momento da chegada, independentemente de o visto ou a autorização estarem válidos. Esteja preparado para responder perguntas sobre o motivo da viagem, a hospedagem e os recursos disponíveis — é procedimento normal, e responder com clareza e sem improviso é tudo o que se espera.
Quanto se dá de gorjeta nos Estados Unidos?
Gorjeta é esperada, e não opcional, na maior parte dos serviços — de 18 a 20 por cento em restaurante com atendimento à mesa e em corrida de táxi ou aplicativo, um ou dois dólares por bebida no bar, e um valor menor por noite para a arrumação do quarto. Não deixar gorjeta é lido como falta de educação, não como escolha neutra, porque em vários estados o salário-base do serviço pressupõe a gorjeta.
Preciso de seguro de viagem para os Estados Unidos?
Precisa, e trate como custo fixo da viagem. Os Estados Unidos não têm saúde pública universal, e o sistema público do Brasil ou de Portugal não vale nada ali: um atendimento sem seguro pode custar milhares de dólares mesmo para um problema relativamente simples. Garanta cobertura médica ampla e, já em solo americano, lembre que a clínica de urgência resolve o que não for emergência por uma fração do custo do pronto-socorro.
O que acontece se eu exceder o prazo autorizado?
Exceder o prazo carimbado ou registrado na entrada pode resultar em deportação e em proibição de entrada futura, e o registro é eletrônico — não é o tipo de coisa que passa despercebida. A data que vale é a que o agente de fronteira autorizou na chegada, que pode ser diferente do máximo teórico do seu visto ou da sua autorização, então confira o registro da sua entrada e cumpra essa data à risca.
Próximo destino: Estados Unidos? Veja as opções de entrada e solicite on-line.
As informações vêm do banco de dados de missões da Visaja (visaja.com), conferido com fontes governamentais oficiais; para respostas definitivas, a palavra final é sempre da própria representação.