Alemanha
A Alemanha, a maior economia da Europa e a nação mais populosa do continente, está no coração da União Europeia como líder mundial em tecnologia, indústria, inovação e cultura. Do histórico Portão de Brandemburgo, em Berlim, à excelência automóvel de Estugarda, do encanto medieval da Baviera às instituições de investigação de ponta de Munique e Heidelberg, a Alemanha oferece oportunidades sem paralelo para negócios, estudo, turismo e intercâmbio cultural. Como membro fundador do espaço Schengen, serve de porta de entrada para viajar sem visto por toda a área Schengen, o que a torna um destino estratégico para quem quer explorar a diversidade de paisagens, a história rica e as economias dinâmicas da Europa. Tanto portugueses como brasileiros viajam para a Alemanha sem grandes formalidades — os portugueses ao abrigo da livre circulação na UE, os brasileiros sem visto para estadas curtas — e a rede ferroviária de alta velocidade torna o país um dos mais fáceis de percorrer sem carro.
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Visto e regras de entrada na Alemanha
A Alemanha integra o espaço Schengen, que permite circular livremente por toda a área com um único visto, incluindo Áustria, França, Itália, Espanha, Países Baixos, Bélgica, Suíça e os países nórdicos. Os portugueses e os restantes cidadãos da UE/EEE e da Suíça entram livremente ao abrigo da livre circulação, com bilhete de identidade ou passaporte, e podem viver e trabalhar sem autorização. Os brasileiros — e os cidadãos dos EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália, Japão e muitos outros — podem permanecer sem visto até 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias, para turismo ou negócios, com um passaporte válido por mais três meses para além da saída. Quem precise de visto Schengen requere-o numa embaixada ou consulado alemão com formulário, fotografias, seguro de viagem (cobertura mínima de 30 000 euros), reservas e prova de meios. Para estadas superiores a 90 dias — trabalho, estudo, reagrupamento familiar — é necessário um visto nacional (tipo D), que serve simultaneamente de visto e de autorização de residência. O Sistema de Entrada/Saída (EES) da UE regista dados biométricos na primeira passagem por uma fronteira externa do espaço Schengen. Está ainda prevista a autorização prévia em linha ETIAS para as nacionalidades isentas de visto — confirme no portal oficial europeu se já lhe é exigida à data da sua viagem.
Tipos de visto
Livre circulação (UE/EEE, Suíça)
Para portugueses e restantes cidadãos da UE/EEE e da Suíça — turismo, trabalho, estudo ou residência sem limitações. Basta o bilhete de identidade ou o passaporte, e pode trabalhar sem autorização.
Entrada sem visto (Schengen)
Turismo, negócios, conferências e visitas a família para brasileiros e cidadãos dos EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália, Japão e muitos outros. O passaporte deve ser válido por mais três meses para além da saída do espaço Schengen; não permite trabalhar.
Visto Schengen (tipo C)
Visto de curta duração para nacionalidades que dele precisem: turismo, negócios, eventos culturais e conferências. Válido em todo o espaço Schengen; exige seguro de viagem com cobertura mínima de 30 000 euros.
Visto nacional (tipo D)
Para estadas superiores a 90 dias — emprego (incluindo o Cartão Azul UE para quadros qualificados), estudo nas universidades alemãs, investigação, formação profissional (Ausbildung) ou reagrupamento familiar. Serve de visto e de autorização de residência.
Informações essenciais para viajar pela Alemanha
- Livre circulação: os portugueses entram com bilhete de identidade ou passaporte ao abrigo da livre circulação na UE — sem limite de tempo e com direito a trabalhar sem autorização.
- Curta duração (brasileiros e isentos): os brasileiros e cidadãos dos EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Japão entram sem visto até 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias. As restantes nacionalidades requerem um visto Schengen.
- Passaporte: emitido há menos de 10 anos e válido por mais três meses para além da saída prevista do espaço Schengen.
- EES e ETIAS: o Sistema de Entrada/Saída regista biometria na primeira passagem por uma fronteira externa do espaço Schengen. A ETIAS é a autorização prévia em linha prevista para passaportes isentos de visto — confirme no portal oficial europeu se já lhe é exigida antes de viajar.
- Seguro de viagem: obrigatório para os pedidos de visto (cobertura mínima de 30 000 euros); muito aconselhável para os isentos de visto.
- Moeda: euro (EUR). Quem viaja de Portugal e da zona euro não troca nada; quem chega do Brasil (real) troca para euros — a melhor taxa obtém-se nos multibancos.
- País de dinheiro vivo: ao contrário do que muitos esperam, a Alemanha usa muito dinheiro vivo. Muitos restaurantes tradicionais, padarias, jardins-cervejaria e bancas só aceitam dinheiro — ande sempre com 50 a 100 euros em notas pequenas.
- Visto nacional (tipo D): para estadas superiores a 90 dias (trabalho, estudo, família) exige documentação do objetivo, alojamento, seguro de saúde e meios; serve de visto e de autorização de residência.
- Comboio: a rede da Deutsche Bahn (ICE de alta velocidade e serviços regionais) torna a Alemanha fácil de explorar sem carro; reservar com antecedência reduz muito o preço.
Visão geral da viagem
A Alemanha recompensa quem olha para lá dos clichés das canecas de cerveja e dos lederhosen — embora também existam, e magníficos. Berlim é uma das grandes cidades do mundo: o Portão de Brandemburgo e o Reichstag como símbolos da reunificação, a Ilha dos Museus com cinco museus de classe mundial num único sítio da UNESCO, a East Side Gallery ao longo do que resta do Muro, a comida de rua e a noite de Kreuzberg, e uma cena cultural — clubes, galerias, teatro, música — de uma profundidade que poucas capitais europeias igualam. Munique contrabalança com elegância barroca: o carrilhão da Marienplatz, o palácio Residenz, os museus Pinakothek, o Jardim Inglês (maior do que o Central Park, com surfistas na onda do Eisbach) e as cervejarias — Hofbräuhaus, Augustiner. Para lá dos dois polos: o vale do Reno com o seu desfiladeiro de castelos entre Coblença e Rüdesheim (UNESCO), os trilhos e as aldeias de relógios de cuco da Floresta Negra, o castelo em ruínas de Heidelberg sobre o Neckar, a Frauenkirche reconstruída e o palácio Zwinger de Dresden, o bairro de armazéns de Hamburgo (Speicherstadt, UNESCO) e a sala de concertos Elbphilharmonie, a catedral gótica de Colónia sobre o Reno e o centro medieval de Nuremberga. Os mercados de Natal alemães — Nuremberga, Dresden, Estugarda, Munique, Colónia — estão entre os melhores do mundo. A rede ferroviária (comboios de alta velocidade ICE da Deutsche Bahn) faz dela um dos países mais fáceis de explorar sem carro, e a gastronomia foi muito além das salsichas: a Alemanha tem hoje mais de 300 estrelas Michelin, e as regiões vinícolas — Mosela, Rheingau, Pfalz, Baden — produzem Rieslings de classe mundial.
Descubra Alemanha
O comboio resolve o país — se comprar a tempo
A Alemanha é dos países europeus em que faz menos sentido alugar carro. Os comboios de alta velocidade ligam Berlim, Hamburgo, Colónia, Frankfurt e Munique em poucas horas, de centro a centro, e a rede regional chega a aldeias que nenhuma autoestrada serve bem. O que decide o custo é a antecedência: os bilhetes de tarifa reduzida abrem à venda com meses de avanço e podem custar uma fração do bilhete flexível comprado à partida, com a contrapartida de ficarem presos ao comboio escolhido. Há ainda um passe mensal de âmbito nacional válido nos comboios regionais e nos transportes urbanos, que compensa a quem fica várias semanas e não tem pressa — confirme as condições e o preço atuais antes de contar com ele. Reserve lugar nos trajetos longos: o bilhete dá direito a viajar, não a lugar sentado.
Berlim aprende-se por bairros
Berlim não tem um centro que resuma a cidade — tem bairros com temperamentos diferentes, e é essa a chave para não a percorrer como uma lista. Mitte concentra a Ilha dos Museus, o Portão de Brandemburgo e o Reichstag, cuja cúpula de vidro se visita gratuitamente mediante inscrição prévia, que esgota com dias de antecedência. Kreuzberg e Neukölln dão a comida e a noite, com uma cena turca e do Médio Oriente que é parte da identidade da cidade. Prenzlauer Berg é o Berlim tranquilo dos cafés e dos mercados de fim de semana. Os vestígios do Muro estão sobretudo na East Side Gallery e no memorial da Bernauer Strasse, que explica melhor do que qualquer outro sítio como a divisão funcionava no quotidiano. Um cartão de transportes por zonas resolve os dias todos: a cidade é grande e as distâncias enganam.
Neuschwanstein e a Baviera sem filas
O castelo mais fotografado da Europa é também o mais mal planeado pelos visitantes. As entradas são por hora marcada, esgotam com antecedência em época alta e não se compram à porta com esperança de sorte — reserve em linha antes de sair de casa e conte com o horário que lhe couber, não com o que preferia. A base natural é Füssen, e a subida da aldeia até ao castelo faz-se a pé em cerca de meia hora, de autocarro ou de charrete; a vista clássica, a da fotografia, é da ponte de Marienbrücke e não do interior. Vale combinar a visita com o vizinho Hohenschwangau na mesma manhã. Quem quiser a Baviera sem multidões encontra-a mais a leste, nos lagos e nos trilhos em redor de Berchtesgaden.
Dinheiro vivo, domingos fechados e outros choques
Três hábitos alemães apanham de surpresa quem chega do Brasil ou de Portugal. O primeiro é o dinheiro vivo: apesar da fama de país tecnológico, muitas padarias, tascas, jardins-cervejaria e bancas de mercado só aceitam notas, e chegar sem elas é ficar sem almoço. O segundo é o domingo: o comércio fecha por lei quase todo, incluindo supermercados, e quem não fizer compras no sábado passa o domingo a olhar para montras — museus, cafés e restaurantes, esses, funcionam normalmente, e as estações de comboio costumam ter as únicas lojas abertas. O terceiro é o depósito das garrafas, cobrado à compra e devolvido nas máquinas dos supermercados quando se entregam os vasilhames. Nada disto é obstáculo; é apenas ritmo local, e conhecê-lo poupa a primeira semana de irritações.
Mercados de Natal: quando e como
A época dos mercados abre em finais de novembro e fecha quase sempre pouco antes do Natal, o que apanha desprevenidos os viajantes que reservam para a semana do dia 25 e encontram as praças já desmontadas. As diferenças entre cidades são reais: Nuremberga é o mais célebre, Dresden tem o mais antigo do país, Colónia espalha vários em redor da catedral e Estugarda está entre os maiores. Vá a meio da semana e ao início da noite, quando as luzes já valem a pena e as praças ainda não estão intransitáveis; ao sábado, os mercados grandes ficam ombro com ombro. O vinho quente é servido em caneca com depósito, que se devolve no fim ou se leva como recordação, e os preços de hotel nas cidades sede sobem muito nestas semanas — reserve com meses de antecedência.
À mesa, muito além da salsicha
A cozinha alemã que se conhece lá fora é uma caricatura de si própria, e o país desfez-a há muito: há hoje centenas de restaurantes com estrela Michelin e uma geração de cozinheiros a trabalhar produto regional. Mas o prazer diário está noutro lado — na padaria, instituição nacional com dezenas de pães escuros e de sementes que não existem no sul da Europa, e no ritual do café com bolo a meio da tarde. Cada região tem a sua mesa: a Francónia tem a maior densidade de cervejarias do mundo e a sua cerveja fumada, a Baviera vive dos jardins-cervejaria, onde é aceite levar a própria comida e comprar apenas a bebida, e os vales do Mosela e do Reno produzem Rieslings que se provam nas próprias quintas. Peça uma água mineral e repare: vem com gás por omissão, salvo se pedir sem.
Formas de explorar este destino
Berlim (Ilha dos Museus, Portão de Brandemburgo, restos do Muro, noite de Kreuzberg), Munique (Marienplatz, Residenz, museus Pinakothek, Jardim Inglês), Hamburgo (Speicherstadt, Elbphilharmonie, Reeperbahn), Dresden (Frauenkirche, Zwinger, Abóbada Verde), Colónia (catedral gótica, herança romana), Heidelberg (castelo em ruínas, cidade universitária) e Nuremberga (centro medieval, centro de documentação da Segunda Guerra).
Neuschwanstein (o castelo de conto de fadas de Luís II, inspiração para o castelo da Disney), o desfiladeiro de castelos do vale do Reno (UNESCO), o castelo de Wartburg (onde Lutero traduziu a Bíblia), Sanssouci em Potsdam (palácio de verão de Frederico, o Grande), o castelo de Hohenzollern e os palácios Residenz de Munique, Würzburg e Dresden.
O Christkindlesmarkt de Nuremberga (o mais famoso, com Lebkuchen e Glühwein), o Striezelmarkt de Dresden (um dos mais antigos da Alemanha, registrado desde 1434), Estugarda (um dos maiores), os mercados de Munique pelo centro, os sete mercados de Colónia em redor da catedral e centenas de mercados mais pequenos de finais de novembro a dezembro.
As cervejarias de Munique (Hofbräuhaus, Augustiner) e os jardins-cervejaria, a Oktoberfest (fim de setembro a início de outubro), a cultura cervejeira da Francónia (a Rauchbier de Bamberg, a maior densidade de cervejarias do mundo), as regiões de Riesling da Mosela e do Rheingau, o vinho de Baden junto à Floresta Negra e a cultura da Kölsch em Colónia.
A Floresta Negra (caminhadas, relógios de cuco, termas como Baden-Baden), os Alpes da Baviera (Zugspitze — o ponto mais alto da Alemanha, o Parque Nacional de Berchtesgaden, o desfiladeiro de Partnachklamm), os trilhos do vale do Reno, as costas do Báltico e do mar do Norte (Rügen, Sylt), as montanhas Harz e o Parque Nacional da Suíça Saxónica (pilares de arenito perto de Dresden).
Frankfurt (capital financeira, sede do BCE, cidade de feiras), Munique (tecnologia, automóvel e seguros — BMW, Siemens, Allianz), Estugarda (museus da Mercedes-Benz e da Porsche), Hamburgo (porto e logística), Düsseldorf (moda e feiras) e Berlim (startups e indústrias criativas) — a Alemanha acolhe algumas das mais importantes feiras da Europa: Hannover Messe, IAA, MEDICA.
Dinheiro e moeda
Euro (€)
Código da moeda: EUR
Dicas práticas sobre dinheiro
Moeda e câmbio na Alemanha
A Alemanha usa o euro (EUR), por isso quem viaja de Portugal e da zona euro não precisa de trocar nada — é a mesma moeda. Já quem chega do Brasil (real, BRL) consegue a melhor taxa levantando euros num multibanco alemão; as taxas oscilam, pelo que convém confirmar a atual. As casas de câmbio (Wechselstuben) existem em estações e aeroportos, mas cobram 3 a 7 % de comissão — evite o câmbio nos aeroportos de Frankfurt, Munique e Berlim, onde as taxas são bem piores do que num multibanco. Em cidades mais pequenas, as casas de câmbio são raras e o multibanco (Geldautomat) é a única opção prática. O Reisebank, nas grandes estações, é uma alternativa fiável para troca de notas.
Multibancos na Alemanha
Os multibancos (Geldautomaten) estão por toda a parte — em agências bancárias, centros comerciais, estações, aeroportos e na maioria das localidades. Os grandes bancos são o Deutsche Bank, o Commerzbank, as caixas económicas Sparkassen (as mais numerosas, com o «S» vermelho), os Volksbanken e os Raiffeisenbanken. O limite diário situa-se em geral entre 500 e 1.000 euros. Visa e Mastercard funcionam em praticamente todos. Recuse sempre a opção de «converter para a sua moeda» (conversão dinâmica), que acrescenta 3 a 5 %. Os multibancos alemães raramente cobram comissão própria, mas o seu banco pode cobrar 2 a 5 euros por levantamento internacional. A rede Sparkassen é especialmente útil — mais de 25 000 caixas pelo país.
Pagar com cartão e telemóvel
A Alemanha tem uma forte cultura de dinheiro vivo — mais do que muitos visitantes esperam da maior economia da Europa. Aceitam cartão os supermercados (Aldi, Lidl, Rewe, Edeka), hotéis, bombas de gasolina, grandes armazéns e cadeias. Mas muitos negócios mais pequenos — restaurantes tradicionais, padarias, jardins-cervejaria, bancas de mercado, alguns táxis — só aceitam dinheiro ou impõem um mínimo (muitas vezes 10 a 20 euros). O sistema de débito local (Girocard) domina; os cartões de crédito Visa e Mastercard são menos universalmente aceites do que em França ou no Reino Unido, e os cartões portugueses Multibanco/Visa/Mastercard funcionam nas grandes superfícies, mas leve um cartão de reserva. O Apple Pay e o Google Pay funcionam em terminais modernos, mas não tão universalmente como na Escandinávia. Estratégia fiável: ande sempre com 50 a 100 euros em dinheiro.
Gorjetas na Alemanha
Dar gorjeta é habitual na Alemanha, mas não aos níveis americanos. Nos restaurantes, 5 a 10 % é o normal — os alemães arredondam para uma quantia cómoda em vez de calcular uma percentagem. A diferença cultural: diz-se ao empregado quanto se quer pagar quando ele vem cobrar, em vez de deixar o dinheiro na mesa. Se a conta for 37 euros, entrega 50 e diz «vierzig» (quarenta) para indicar que ele fica com 3. Em jardins-cervejaria e restaurantes informais, arredondar para o euro seguinte chega. Porteiros de hotel: 1 a 2 euros por mala. Táxi: arredondar 1 a 2 euros. Guias: 3 a 5 euros por pessoa. Dê sempre a gorjeta em dinheiro.
Nota: Verifique sempre as taxas de câmbio atuais antes de viajar. Pode trocar dinheiro em aeroportos, bancos e casas de câmbio autorizadas.
Qual é a moeda da Alemanha?
Quanto devo orçamentar por dia na Alemanha?
Preciso de muito dinheiro vivo na Alemanha?
A Alemanha é cara comparada com outros países da Europa Ocidental?
Posso usar Apple Pay ou Google Pay na Alemanha?
Devo trocar dinheiro antes de viajar para a Alemanha?
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Perguntas frequentes
Preciso de visto para a Alemanha?
Depende do passaporte com que viaja. Com passaporte português não há formalidade: a livre circulação na UE permite entrar, ficar, estudar e trabalhar com bilhete de identidade ou passaporte, sem limite de tempo e sem autorização de trabalho. Com passaporte brasileiro entra-se sem visto para turismo ou negócios, até 90 dias dentro de qualquer período de 180 — mas esse regime cobre turismo e negócios, e não dá direito a exercer atividade laboral no país. Para ficar mais de 90 dias, seja para estudar, para uma formação profissional ou para trabalhar, é preciso o visto nacional de tipo D, pedido antes da partida, que serve ao mesmo tempo de visto e de autorização de residência.
Preciso de tratar de alguma autorização antes de embarcar?
Se viaja com passaporte português, não — nada disto se aplica a cidadãos da União. Se viaja com passaporte brasileiro, há duas coisas distintas a separar. O registo automatizado de entradas e saídas já funciona: na primeira passagem por uma fronteira externa do espaço Schengen são recolhidos dados biométricos, o que acrescenta alguns minutos à chegada. A autorização prévia em linha para viajantes isentos de visto, associada ao passaporte e análoga ao ESTA norte-americano, está prevista mas não vigora ainda — confirme no portal oficial europeu, antes de cada viagem, se já lhe é exigida à data em que parte. Nenhuma das duas coisas substitui a regra dos 90 dias.
Como se contam os 90 dias, ao certo?
Somando todos os dias passados em qualquer país do espaço Schengen numa janela móvel de 180 dias — e a Alemanha é, precisamente, o sítio onde este erro mais aparece, por ser o centro de onde toda a gente parte para os países vizinhos. Uma semana em Praga, um fim de semana em Amesterdão e dez dias em Espanha descontam do mesmo saldo alemão. O dia de entrada e o de saída contam ambos por inteiro, e a janela recalcula-se todos os dias olhando para trás, pelo que não há reinício ao mudar de ano nem ao sair e voltar a entrar. Quem viaja com frequência à Europa deve fazer a conta antes de comprar bilhete: a fiscalização é feita na entrada seguinte, e as consequências recaem sobre viagens futuras.
Levo dinheiro vivo ou cartão chega?
Leve dinheiro vivo, por mais estranho que pareça num dos países mais desenvolvidos do mundo. A Alemanha mantém uma cultura de pagamento em numerário muito mais forte do que a portuguesa ou a brasileira: padarias, tascas de bairro, jardins-cervejaria, bancas de mercado e alguns restaurantes tradicionais não aceitam cartão, e nem sempre avisam à entrada. A prática que funciona é andar sempre com algumas dezenas de euros em notas pequenas e levantar nas caixas automáticas dos bancos, que dão melhor taxa do que as casas de câmbio dos aeroportos. Quem vem de Portugal e da zona euro não tem nada a trocar; quem chega do Brasil deve evitar trocar reais em Portugal ou no aeroporto de chegada e usar antes o multibanco local.
O que fecha ao domingo?
Quase todo o comércio, e isso inclui os supermercados — é lei, não é hábito, e apanha praticamente todos os visitantes na primeira semana. Quem chega ao sábado à noite e conta abastecer-se no dia seguinte encontra portas fechadas. O que funciona normalmente ao domingo: museus, cafés, restaurantes, transportes, e as lojas dentro das grandes estações de comboio e dos aeroportos, que são a válvula de escape conhecida de toda a gente. Some-se a isto os feriados regionais, que variam de estado para estado e podem transformar uma segunda-feira num segundo domingo. A regra prática é simples: faça as compras ao sábado de manhã e trate o domingo como dia de museu, parque e mesa.
Qual é a melhor altura para visitar?
De maio a setembro, se a prioridade for tempo e vida ao ar livre: dias longos, jardins-cervejaria abertos, trilhos da Floresta Negra e dos Alpes bávaros praticáveis e cidades em pleno funcionamento. Setembro tem ainda a Oktoberfest, que ao contrário do que o nome sugere começa em finais de setembro e termina no início de outubro. O outro grande argumento é o inverno, mas com data certa: os mercados de Natal abrem em finais de novembro e a maioria encerra antes do dia 25, pelo que a semana entre o Natal e o Ano Novo é a pior altura para quem vai por causa deles. Janeiro e fevereiro são frios e escuros, e é também quando as estações de esqui dos Alpes bávaros trabalham a sério.
Como se visita Neuschwanstein sem perder o dia?
Comprando a entrada em linha antes de viajar. As visitas são guiadas, por hora marcada, e em época alta esgotam com bastante antecedência — quem chega à bilheteira a contar com a sorte costuma sair de lá com um horário do fim da tarde ou sem entrada nenhuma. A base é a aldeia de Füssen, alcançável de comboio a partir de Munique com uma mudança, e da aldeia até ao castelo sobe-se a pé em cerca de meia hora, de autocarro ou de charrete. A fotografia que toda a gente conhece tira-se da ponte de Marienbrücke, sobre o desfiladeiro, e não do interior. Reserve a manhã inteira e junte o castelo vizinho de Hohenschwangau, que fica a poucos minutos a pé e se reserva pela mesma via.
Consigo viajar sem falar alemão?
Consegue, nas cidades e nos eixos turísticos, onde o inglês é corrente sobretudo entre os mais novos e no setor do turismo. Fora disso — aldeias, transportes regionais, repartições, restaurantes familiares no interior da Baviera ou da Saxónia — o alemão volta a ser a única língua da conversa, e a diferença entre o visitante que arranha meia dúzia de fórmulas e o que não arranha nenhuma é enorme na simpatia com que é atendido. Aprenda pelo menos «bitte», «danke» e a forma de cumprimentar, que muda entre o norte e o sul do país. Para o resto, um tradutor no telemóvel resolve, mas convém descarregar o idioma para uso sem rede: a cobertura móvel no interior alemão é menos consistente do que a fama do país sugere.
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