Cuba

Bandeira: Cuba

Código Telefônico

+53

Capital

Havana

População

11 mi (2023)

Idiomas

espanhol

Área

109.884 km²

Eletricidade

110 V

Tipos de tomada

NEMA 1-15 · NEMA 5-15

Mão de direção

direita

Nome Nativo

Cuba

Região

Américas

Caribe

Fuso Horário

Horário de Cuba

UTC-05:00

Cuba é a maior ilha do Caribe e a que menos se parece com as outras. Havana tem quilómetros de fachadas coloniais e art déco por onde circulam automóveis americanos dos anos cinquenta mantidos vivos por sucessivas gerações de mecânicos; o paredão à beira-mar enche-se ao fim da tarde com a cidade inteira sentada a ver o sol pôr-se; e há música ao vivo, todas as noites, em bares onde ninguém cobra bilhete. Fora da capital ficam uma cidade colonial parada no século XIX, um vale de plantações de tabaco entre montes de calcário de forma arredondada onde se produzem alguns dos melhores charutos do mundo, e praias de areia branca que se estendem por dezenas de quilómetros. Mas há uma coisa a saber antes de tudo isto, e é a mais importante desta página: a mecânica prática de viajar em Cuba — dinheiro, ligações à internet, abastecimento — não se parece com a de nenhum outro destino da região, e uma viagem que corre bem é quase sempre uma viagem que foi preparada em casa. Leve dinheiro em espécie para toda a estada, e trate do visto, do formulário obrigatório e do seguro antes de embarcar.

Regras de entrada e visto de turista para Cuba

Para a maioria dos visitantes, incluindo quem viaja com passaporte brasileiro ou português, Cuba exige um visto de turista em vez de um visto tradicional de consulado. O antigo cartão de turista em papel foi substituído por um visto eletrónico, pedido antes da viagem através de companhias aéreas, agências de viagem ou consulados cubanos — como o sistema foi alterado, confirme na fonte oficial o procedimento, o prazo de estada concedido e as condições de prorrogação aplicáveis à data da sua viagem, em vez de assumir o que era válido antes. Historicamente a estada de turismo ronda os 30 dias, prorrogável uma vez junto dos serviços de imigração nas cidades maiores. Há mais duas obrigações que não se resolvem no aeroporto e que apanham muita gente. A primeira é o formulário eletrónico de viajante, uma declaração digital de saúde e imigração que TODOS os passageiros preenchem em linha antes do embarque, e cujo comprovativo é pedido à chegada. A segunda é o seguro de viagem com cobertura médica válida para Cuba, que é obrigatório e verificável: leve o certificado consigo, em espanhol ou inglês, porque quem não o consegue apresentar pode ter de contratar um seguro no próprio aeroporto antes de passar. Exige-se ainda passaporte válido e passagem de volta ou de continuação. E um ponto de dinheiro que é decisivo e não intuitivo: os cartões emitidos por bancos dos Estados Unidos não funcionam em Cuba, o que se aplica a qualquer viajante que tenha um cartão americano, independentemente da sua nacionalidade. Conte com uma viagem paga em espécie e leve dinheiro suficiente, de preferência em euros.

Tipos de visto comuns

Visto de turista eletrónico

Estada de turismo, historicamente cerca de 30 dias, prorrogável uma vez junto da imigração; confirme o prazo em vigor na fonte oficial

Para turismo da maioria das nacionalidades, incluindo o passaporte brasileiro e o português. Pedido antes de viajar através da companhia aérea, de agência de viagens ou de consulado cubano, e emitido em formato eletrónico. Não é um visto de consulado no sentido tradicional, mas também não se obtém à chegada.

Visto de negócios

Variável conforme a finalidade e o convite

Para viagens de negócios, conferências e atividades profissionais fora do enquadramento turístico. Exige convite de uma entidade cubana e é pedido em consulado, com um processo bastante mais exigente do que o do turismo.

Visita familiar

Período prolongado, com múltiplas entradas conforme a emissão

Para visitas a familiares residentes em Cuba, por períodos prolongados e com possibilidade de múltiplas entradas. Exige comprovação do vínculo familiar e é pedido em consulado cubano.

Informações essenciais para viajar a Cuba

•Visto de turista obrigatório, hoje...

Visto de turista obrigatório, hoje em formato eletrónico, pedido antes da partida através da companhia aérea, de agência ou de consulado cubano. Aplica-se ao passaporte brasileiro e ao português. Como o sistema foi alterado, confirme na fonte oficial o procedimento e o prazo de estada em vigor.

•Formulário eletrónico de viajante obrigatório...

Formulário eletrónico de viajante obrigatório para TODOS os passageiros: declaração digital de saúde e imigração preenchida em linha antes do embarque, com comprovativo pedido à chegada.

•Seguro de viagem com cobertura...

Seguro de viagem com cobertura médica válida para Cuba é OBRIGATÓRIO e efetivamente verificado. Leve o certificado impresso, em espanhol ou inglês; sem ele, pode ter de contratar seguro no aeroporto antes de passar o controlo.

•Cartões emitidos por bancos dos...

Cartões emitidos por bancos dos Estados Unidos não funcionam em Cuba. Isto aplica-se a qualquer viajante que tenha um cartão americano, independentemente da nacionalidade do titular.

•Economia de dinheiro vivo: leve...

Economia de dinheiro vivo: leve de casa a totalidade do que vai gastar, com margem. Mesmo os cartões de outros países funcionam de forma irregular e as caixas automáticas são instáveis — nenhum deles serve como plano. Os euros são a moeda estrangeira mais prática de trocar; leve notas em bom estado e de denominações variadas.

•Para o viajante brasileiro, o...

Para o viajante brasileiro, o real não circula: converta em euros antes de partir, e lembre-se do IOF sobre operações internacionais.

•Moeda: o peso cubano. O...

Moeda: o peso cubano. O antigo sistema de dupla moeda foi extinto. Troque apenas em pontos de câmbio oficiais e confirme as condições em vigor à chegada.

•Internet limitada e lenta, sobretudo...

Internet limitada e lenta, sobretudo por cartões pré-pagos e pontos de acesso da operadora nacional. Descarregue mapas offline, moradas, confirmações de reserva e tradutor antes de viajar, e não conte com estar em linha durante o dia.

•Alojamento: as casas particulares —...

Alojamento: as casas particulares — quartos em casas de família, regulamentados — custam uma fração de um hotel equivalente, servem comida melhor e articulam-se entre cidades para reservas e transporte. É a forma como o país se viaja melhor.

•Transporte entre cidades: o táxi...

Transporte entre cidades: o táxi coletivo é o meio prático e combina-se na véspera através do anfitrião do alojamento. Há também autocarros de longo curso para visitantes, com reserva antecipada. Nos automóveis clássicos usados como táxi urbano, negoceie sempre o preço antes de entrar.

•Abastecimento: a disponibilidade de produtos...

Abastecimento: a disponibilidade de produtos varia e itens correntes podem faltar. Leve de casa medicamentos de uso pessoal e de emergência, protetor solar, repelente e produtos de higiene específicos, em vez de contar comprá-los no destino.

•Idioma: o espanhol é a...

Idioma: o espanhol é a língua oficial. O inglês é falado no circuito turístico e escasseia fora dele; algum espanhol muda substancialmente a viagem.
Visão geral da viagem

Cuba pede mais preparação do que qualquer outro destino das Caraíbas e devolve mais em troca. Havana sozinha justifica uma semana: a cidade velha classificada pela UNESCO, com praças, igrejas barrocas, teatros e fábricas de charuto a funcionar; o paredão à beira-mar, onde a cidade se junta ao fim do dia; o bairro modernista a oeste, com uma antiga fábrica convertida num dos centros culturais mais interessantes das Américas; e o circuito das casas e bares associados a Hemingway, incluindo a quinta onde escreveu à saída da cidade. Trinidad, no centro do país, é uma cidade colonial de casas em tons pastel e ruas de calçada onde a percussão afro-cubana se ouve todas as noites. O vale de Viñales, a oeste, alinha plantações de tabaco entre montes de calcário arredondados, com secagem das folhas em celeiros tradicionais e passeios a cavalo entre os campos. A costa norte tem faixas longas de areia branca, e a costa sul guarda um recife com mergulho e snorkeling notáveis. A leste, Santiago de Cuba é o berço do son cubano e da tradição de carnaval mais forte da ilha. E há a música, que atravessa tudo e é o argumento a que quase ninguém resiste: salsa, son, timba e trova ao vivo, em casas dedicadas que existem em todas as cidades.

Descubra Cuba

Três coisas que se tratam antes de embarcar

A entrada em Cuba não é difícil, mas tem três peças e nenhuma delas se resolve bem à última hora. A primeira é o visto de turista, hoje em formato eletrónico, pedido antes da viagem através da companhia aérea, de uma agência ou de um consulado cubano — como o sistema mudou, confirme o procedimento e o prazo de estada concedido na fonte oficial em vez de seguir informação antiga, que abunda. A segunda é o formulário eletrónico de viajante, uma declaração digital de saúde e imigração que todos os passageiros preenchem em linha antes do embarque; o comprovativo é pedido à chegada e preenchê-lo custa minutos, mas só se souber que existe. A terceira, e a que mais gente descobre tarde, é o seguro de viagem com cobertura médica válida para Cuba: é obrigatório e é efetivamente verificado, pelo que se leva o certificado impresso, em espanhol ou inglês. Quem chega sem conseguir apresentá-lo pode ter de contratar um seguro no próprio aeroporto antes de passar o controlo, o que é caro e demorado ao fim de um voo longo. Trate das três com dias de antecedência e guarde tudo em papel e no telemóvel.

Dinheiro e ligações: a viagem inteira decide-se em casa

Esta é a secção que evita os problemas reais. Cuba funciona fundamentalmente a dinheiro em espécie, e a regra prática é levar de casa a totalidade do que vai gastar, com margem. Há dois motivos independentes. Primeiro, os cartões emitidos por bancos dos Estados Unidos não funcionam no país — o que apanha viajantes de qualquer nacionalidade que tenham um cartão americano, e não apenas cidadãos americanos. Segundo, mesmo os cartões de outros países funcionam de forma irregular e as caixas automáticas são instáveis, pelo que nenhum deles serve como plano. Leve euros em notas, que são a moeda estrangeira mais prática de trocar, em bom estado e de denominações variadas, e troque apenas em pontos de câmbio oficiais, nunca na rua. Para o leitor brasileiro, o real não circula: converta em euros antes de partir. A segunda metade do problema é a informação: a internet é limitada e lenta, funciona sobretudo por cartões pré-pagos e pontos de acesso da operadora nacional, e não se pode contar com ela para navegar, reservar ou traduzir no momento. Descarregue mapas offline, moradas, confirmações e um dicionário antes de sair de casa.

A casa particular é a melhor decisão da viagem

Se houver uma única recomendação a seguir sobre Cuba, é esta: durma em casas particulares em vez de hotéis. Trata-se de quartos alugados em casas de família, regulamentados e identificáveis, que existem em todas as cidades e povoações do país, e a diferença que fazem é maior do que a poupança — embora custem uma fração de um hotel equivalente. Primeiro, come-se melhor: o pequeno-almoço e o jantar preparados na casa são normalmente muito superiores ao que se encontra nos restaurantes estatais, e o marisco e a fruta chegam por circuitos que um visitante nunca alcançaria sozinho. Segundo, resolve-se a logística: os anfitriões articulam-se entre si de cidade para cidade, reservam a casa seguinte, arranjam táxi coletivo e conhecem quem faz o quê — numa viagem onde a informação em linha é escassa, essa rede humana substitui a internet com vantagem. Terceiro, o dinheiro fica com famílias em vez de estruturas. Reserve as primeiras noites antes de partir e deixe as seguintes ao cuidado da rede, que é como o sistema funciona melhor.

Havana a pé, e sem pressa

Havana recompensa quem caminha e pune quem tenta despachá-la por lista. A cidade velha, classificada pela UNESCO, concentra praças, igrejas barrocas, palácios e fábricas de charuto ainda a laborar num perímetro pequeno, e está em restauro contínuo — o que significa que uma rua magnífica pode dar para outra em ruínas, e é exatamente esse contraste que define a experiência. A poucos minutos, o paredão à beira-mar é onde a cidade vai estar ao fim da tarde: famílias, pescadores, namorados e músicos sentados no muro a ver o sol pôr-se e as ondas rebentarem sobre a avenida. A oeste fica o bairro modernista, mais arborizado e residencial, com mansões da primeira metade do século XX e uma antiga fábrica reconvertida num centro cultural que junta galerias, concertos e cinema no mesmo edifício e é um dos melhores programas noturnos das Américas. E há o circuito ligado a Hemingway — os dois bares que ele tornou famosos e a quinta onde viveu e escreveu, à saída da cidade, mantida como estava. Os automóveis clássicos dos anos cinquenta funcionam como táxis: negoceie o preço antes de entrar.

Fora de Havana: Trinidad, Viñales e como se circula

A ilha é comprida e a maior parte dos visitantes concentra-se num eixo central que funciona bem. Trinidad, no centro-sul, é uma cidade colonial notavelmente preservada, de casas em tons pastel e ruas de calçada irregular, com escadarias que ao fim da noite se transformam em salas de concerto ao ar livre; a serra logo acima dá trilhos, cascatas e cafezais, e há praia a poucos quilómetros. Viñales, a oeste da capital, é a paisagem mais fotogénica do país: um vale de terra vermelha com plantações de tabaco entre montes de calcário de topo arredondado, percorrido a pé, de bicicleta ou a cavalo, com visitas a produtores que explicam a secagem das folhas nos celeiros de palha. Entre um sítio e outro, o transporte que os viajantes usam é o táxi coletivo — carros partilhados entre cidades, combinados na véspera pelo anfitrião da casa onde está, mais rápidos e mais flexíveis do que o autocarro. Há também autocarros de longo curso para turistas, que exigem reserva antecipada. Conte por horas e não por quilómetros, e resista a encadear mais do que uma deslocação longa por dia.

A música acontece onde não há bilhete

Cuba é o país onde nasceram ou se apuraram o son, a rumba, o mambo, o cha-cha-chá, a timba e a trova, e o visitante que procura isso não precisa de procurar muito — precisa apenas de saber onde não olhar. Os espetáculos montados para autocarros de turistas existem e são o que aparece primeiro; a música a sério está nas casas de trova, que existem em praticamente todas as cidades e são espaços dedicados a música ao vivo onde se entra sem bilhete ou por muito pouco, e em bares e esquinas onde tocam grupos locais para uma sala de gente do bairro. Em Havana há uma cena de jazz consolidada com músicos de nível internacional; em Trinidad toca-se ao ar livre nas escadarias; e Santiago de Cuba, no extremo leste, é a origem do son e tem a tradição de carnaval mais forte da ilha, em julho. Duas notas: aulas de salsa com professores locais custam pouco e mudam por completo a relação com as noites seguintes, e gratificar os músicos que passam o chapéu é a norma e não um extra.

Formas de explorar este destino

Havana e cultura urbana

A cidade velha classificada pela UNESCO, com praças, igrejas barrocas, palácios e fábricas de charuto a laborar; o paredão à beira-mar ao pôr do sol; o bairro modernista a oeste com as suas mansões e uma antiga fábrica convertida em centro cultural; o circuito dos bares e da quinta de Hemingway; e uma cena de jazz de nível internacional. É uma cidade para caminhar sem pressa.

Cidades coloniais

Trinidad, parada no século XIX, com casas em tons pastel, calçada irregular e música ao ar livre nas escadarias; a cidade neoclássica do sul, de traçado elegante à beira de uma baía; a antiga cidade de ruas labirínticas e grandes potes de barro no centro do país; e uma das povoações mais antigas da ilha. Um conjunto colonial notavelmente preservado e pouco tocado pelo turismo de massa.

Música e dança

Onde nasceram ou se apuraram o son, a salsa, o mambo, o cha-cha-chá, a rumba, a timba e a trova. Há casas de trova dedicadas a música ao vivo em praticamente todas as cidades, quase sempre sem bilhete, e aulas de dança acessíveis em toda a parte. Santiago de Cuba, no extremo leste, é o berço do son e tem o maior carnaval da ilha, em julho.

Natureza e praias

O vale de tabaco a oeste, com os seus montes de calcário arredondados, grutas e passeios a cavalo; a faixa de areia branca da costa norte, com dezenas de quilómetros; os cayos do norte, ligados por estradas sobre o mar; o recife da costa sul, com mergulho e snorkeling excelentes; a serra acima de Trinidad, com trilhos e cascatas; e uma península de zonas húmidas a sul, para observação de aves e crocodilos.

Charutos e rum

Cuba produz os charutos mais celebrados do mundo: visitam-se as plantações do vale do oeste, veem-se os torcedores a trabalhar numa fábrica histórica de Havana e aprende-se a diferença entre as grandes casas — Cohiba, Montecristo, Romeo y Julieta. Ao lado disso, a cultura do rum e a coquetelaria que deu ao mundo o mojito, o daiquíri e a Cuba libre, com destilaria visitável na capital.

Dinheiro e moeda

Dinheiro e moeda
$

Peso cubano (CUP)

Código da moeda: CUP

Dicas práticas sobre dinheiro

Peso cubano, moeda de loja, e o cartão que não funciona

O peso cubano é a moeda nacional e é nele que se paga a esmagadora maioria das despesas de uma viagem. Existe em paralelo uma moeda digital de uso restrito, criada para lojas estatais que vendem produtos importados, indexada ao dólar e carregada num cartão pré-pago — não substitui o dinheiro para o dia a dia, mas explica por que certas lojas não aceitam notas. O antigo peso conversível foi extinto na reforma monetária e deixou de ter qualquer valor: se tiver notas dele de uma viagem anterior, não servem para nada e não se trocam. Há um ponto que decide o planeamento inteiro: os cartões emitidos por bancos dos Estados Unidos não funcionam em Cuba, e isso abrange qualquer viajante que tenha um cartão americano, independentemente da sua nacionalidade. Para o leitor brasileiro ou português, o euro é a moeda estrangeira mais prática a levar em espécie — o real não circula nem se troca — e o dólar canadiano e a libra também são bem aceites. Troque em pontos oficiais à chegada, e conte com o IOF sobre operações internacionais.

As caixas automáticas não são um plano

Existem caixas automáticas, sobretudo em Havana, Varadero, Trinidad e Santiago de Cuba, associadas aos bancos nacionais, e cartões internacionais não americanos podem funcionar em algumas delas. A palavra decisiva é «podem»: as máquinas estão com frequência fora de serviço ou sem notas, o resultado é inconstante de dia para dia e de cidade para cidade, e não existe rede alternativa a que recorrer quando falham. Os cartões emitidos nos Estados Unidos estão bloqueados por completo, qualquer que seja a bandeira. A conclusão prática é simples e não admite meio-termo: não construa a viagem à volta de levantamentos. Leve dinheiro em espécie para a totalidade da estada, com margem confortável, e trate um eventual levantamento bem-sucedido como um bónus e nunca como parte do orçamento. Divida o dinheiro por dois ou três sítios e ande no dia a dia só com o necessário.

Uma economia de dinheiro vivo, sem pagamentos por telemóvel

Para o visitante, Cuba funciona quase inteiramente a dinheiro. A aceitação de cartão limita-se a alguns hotéis maiores e a poucos restaurantes de gama alta, e mesmo aí é conveniente confirmar antes de pedir a conta. Os pagamentos por telemóvel dos sistemas internacionais não funcionam em lado nenhum do país — não é questão de cobertura irregular, é infraestrutura que não existe para quem vem de fora, e convém desmontar essa expectativa antes de embarcar em vez de a descobrir no primeiro almoço. Cartões internacionais não americanos podem passar nalguns balcões e nos centros da operadora nacional de telecomunicações, sempre de forma inconstante. Planeie por isso uma viagem inteiramente baseada em espécie, com o cartão guardado apenas para a hipótese de servir nalgum sítio pontual. Para cartões brasileiros, conte também com o IOF sobre compras e levantamentos internacionais.

Leve mais do que acha que precisa

Cuba tem custo moderado para o viajante, mas o número que importa não é o custo diário e sim a margem. Dormir em casa particular custa uma fração de um hotel estatal equivalente e ainda costuma incluir o pequeno-almoço; comer nos restaurantes privados sai bem abaixo do que custaria comida comparável na região, e a comida de rua e os táxis partilhados são baratos. Nada disso resolve o problema real, que é de liquidez e não de preço: como as caixas automáticas não são fiáveis e os cartões quase não passam, ficar sem dinheiro a meio da viagem é um problema sério e sem solução fácil — não há transferência de emergência simples nem uma máquina na esquina seguinte. Sobrestime deliberadamente o orçamento, acrescente uma reserva para imprevistos e prolongamentos, e traga notas em bom estado e de valores variados. Sobrar dinheiro é um inconveniente; faltar não é.

Nota: Verifique sempre as taxas de câmbio atuais antes de viajar. Pode trocar dinheiro em aeroportos, bancos e casas de câmbio autorizadas.

Perguntas frequentes sobre dinheiro

Que moeda devo levar para Cuba?

Euros em espécie, se viaja do Brasil ou de Portugal. É a moeda estrangeira mais prática de trocar no país e a que costuma render melhores condições; o dólar canadiano e a libra também são bem aceites. O real não circula nem se troca em Cuba, pelo que a conversão tem de ser feita antes de partir. Leve notas em bom estado, sem rasgões nem escritos, e de valores variados, porque desfazer notas grandes fora dos balcões oficiais é difícil. Troque por moeda local em pontos de câmbio oficiais à chegada e ao longo da viagem, em parcelas, e confirme as condições em vigor no momento — o regime cambial cubano tem mudado com frequência, e qualquer número que encontre publicado pode estar desatualizado.

Os pagamentos por telemóvel funcionam?

Não, em nenhum lado. Cuba não aceita Apple Pay, Google Pay nem qualquer sistema equivalente de pagamento por aproximação associado ao seu banco. Não se trata de cobertura irregular ou de estabelecimentos mais antigos: a infraestrutura acessível a visitantes estrangeiros simplesmente não existe. Como muitos viajantes já se habituaram a percorrer países inteiros sem tocar em dinheiro, esta é a expectativa que mais convém desmontar antes de embarcar. Planeie uma viagem inteiramente em espécie, do primeiro táxi ao último jantar, e leve o dinheiro de casa.

O meu cartão brasileiro ou europeu funciona?

De forma inconstante, e nunca como plano. Cartões não americanos — brasileiros, portugueses ou de outros países europeus — podem funcionar em algumas caixas automáticas e em alguns hotéis maiores, mas o resultado varia de dia para dia e de cidade para cidade, e não há a quem recorrer quando falha. Já os cartões emitidos por bancos dos Estados Unidos estão bloqueados por completo, qualquer que seja a bandeira do cartão — e isto apanha qualquer viajante que tenha um cartão americano, seja qual for a sua nacionalidade, o que surpreende muita gente que nem é dos Estados Unidos. Leve um cartão para a hipótese de servir, avise o banco das datas, e traga em espécie o dinheiro de toda a viagem.

O que é a moeda digital de loja e serve-me de alguma coisa?

É uma moeda eletrónica de uso restrito, indexada ao dólar, criada para um conjunto de lojas estatais que vendem sobretudo produtos importados. Carrega-se num cartão pré-pago, num balcão oficial, com cartão não americano ou com dinheiro. Para o turista tem utilidade limitada mas não nula: essas lojas costumam ter artigos que faltam no comércio corrente, o que pode resolver uma necessidade específica a meio da viagem. A esmagadora maioria das despesas de uma viagem normal — alojamento em casa particular, refeições, transportes, entradas, música — paga-se em moeda local e em dinheiro. Não organize o orçamento à volta desta moeda; conheça-a apenas para perceber o que lhe estão a propor quando a mencionarem.

O que aconteceu ao antigo peso conversível?

Foi extinto na reforma de unificação monetária e deixou de existir. Não tem valor, não é aceite em lado nenhum e não se troca — pelo que, se tiver notas dele guardadas de uma viagem anterior, valem hoje apenas como recordação. O sistema atual assenta no peso cubano para praticamente tudo o que um visitante paga, com a moeda digital de loja a funcionar em paralelo num circuito restrito. Vale ter isto presente porque circula muita informação antiga sobre Cuba, escrita quando havia duas moedas em circulação e uma delas era a dos turistas: qualquer guia ou artigo que ainda descreva esse sistema está desatualizado, e essa é uma boa forma de avaliar a idade da informação que estiver a ler.

Onde devo trocar dinheiro?

Exclusivamente em pontos de câmbio oficiais — balcões nos aeroportos, em hotéis maiores e nos centros das cidades — e nunca com quem aborda na rua a propor condições melhores. Além de ser a única via legal, é a única com recibo e sem risco de fraude, e as histórias de notas contadas a menos ou de moeda fora de curso entregue a visitantes existem por alguma razão. Troque em parcelas ao longo da viagem, em vez de converter tudo de uma vez, e guarde os comprovativos. Como o regime cambial tem mudado com frequência, confirme as condições em vigor logo à chegada, e a melhor fonte atualizada que vai ter é o anfitrião da casa particular onde ficar, que lida com isto todos os dias.

Casa particular é mais barata que hotel?

É bastante mais barata, e essa nem é a principal razão para a escolher. As casas particulares são alojamentos privados licenciados — um quarto ou um apartamento em casa de família — e custam uma fração de um hotel estatal equivalente, muitas vezes já com pequeno-almoço incluído. O que mais pesa a favor é o resto: come-se melhor, porque a comida preparada em casa supera com folga a restauração estatal; resolve-se a logística, porque os anfitriões se articulam entre cidades para reservar a casa seguinte e combinar o táxi partilhado; e ganha-se uma fonte de informação atualizada sobre câmbio, transportes e o que está aberto, que num país com internet escassa vale mais do que qualquer aplicação. Paga-se em dinheiro, em moeda local.

Quanto dinheiro devo levar?

Mais do que a sua estimativa, e essa é a resposta séria. Faça a conta habitual — alojamento não pago à cabeça, refeições, transportes entre cidades, entradas, passeios, gorjetas, compras — e depois acrescente uma margem substancial para imprevistos, mudanças de plano e dias a mais, porque aqui a margem não é conforto, é segurança. A razão é estrutural e não pessimismo: com caixas automáticas pouco fiáveis, cartões que quase não passam e nenhuma via simples de receber uma transferência de emergência, ficar sem dinheiro a meio da viagem é um problema real sem solução rápida. Traga tudo em espécie, em notas em bom estado e de valores variados, guarde o dinheiro dividido por dois ou três sítios diferentes, e ande no dia a dia apenas com o necessário para esse dia.
Perguntas frequentes

Preciso de visto para Cuba?

Precisa, mas não de um visto tradicional de consulado: Cuba usa um visto de turista, hoje emitido em formato eletrónico, que se pede antes da viagem através da companhia aérea, de uma agência de viagens ou de um consulado cubano. Aplica-se tanto ao passaporte brasileiro como ao português. Como o sistema substituiu o antigo cartão de papel, circula muita informação desatualizada — confirme na fonte oficial o procedimento em vigor, o prazo de estada concedido e as condições de prorrogação aplicáveis à data da sua viagem. Historicamente a estada de turismo ronda os 30 dias, prorrogável uma vez junto dos serviços de imigração nas cidades maiores. Leve também passaporte válido e passagem de volta ou de continuação.

O que mais é obrigatório além do visto?

Duas coisas, e ambas se tratam antes de embarcar. A primeira é o formulário eletrónico de viajante, uma declaração digital de saúde e imigração que todos os passageiros preenchem em linha antes do voo e cujo comprovativo é pedido à chegada — é rápido, mas só o faz quem sabe que existe. A segunda é o seguro de viagem com cobertura médica válida para Cuba, que é obrigatório e efetivamente verificado no controlo: leve o certificado impresso, em espanhol ou inglês, e confirme com a seguradora que a apólice cobre expressamente este destino, porque nem todas cobrem. Quem chega sem o conseguir apresentar pode ser obrigado a contratar um seguro no próprio aeroporto antes de entrar, o que é mais caro e acontece ao fim de um voo longo.

Que dinheiro devo levar?

Euros em espécie, e o suficiente para a viagem inteira mais uma margem. Esta é a diferença mais importante entre Cuba e qualquer outro destino da região, e ignorá-la cria problemas a sério. Há duas razões independentes para não contar com plástico: os cartões emitidos por bancos dos Estados Unidos simplesmente não funcionam no país — o que abrange qualquer viajante com um cartão americano, seja qual for a sua nacionalidade — e mesmo os cartões de outros países funcionam de forma irregular, com caixas automáticas instáveis que não podem ser tratadas como fonte de fundos. Leve notas em bom estado e de valores variados, guarde-as divididas por dois ou três sítios, e ande no dia a dia apenas com o que precisa. Para o leitor brasileiro, o real não circula: converta em euros antes de partir.

Onde troco dinheiro?

Exclusivamente em pontos de câmbio oficiais, casas de câmbio autorizadas e balcões bancários, e nunca com quem aborda na rua a propor condições melhores. A moeda nacional é o peso cubano, depois de extinto o antigo sistema de dupla moeda, e as condições de câmbio têm variado bastante — pelo que a única resposta responsável é confirmar as taxas e o procedimento em vigor à chegada, junto do seu alojamento ou de um balcão oficial, em vez de partir com um número na cabeça. Troque em parcelas, à medida das necessidades, em vez de converter tudo de uma vez, e guarde os comprovativos. O anfitrião de uma casa particular é, aqui, a melhor fonte de informação atualizada que vai encontrar.

Casa particular ou hotel?

Casa particular, e com alguma folga. São quartos alugados em casas de família, regulamentados e presentes em todas as cidades, e custam uma fração de um hotel equivalente — mas o preço é o menos interessante. Come-se substancialmente melhor, porque o pequeno-almoço e o jantar preparados em casa superam com facilidade a restauração estatal e chegam por circuitos de abastecimento que um visitante não alcançaria sozinho. Resolve-se a logística, porque os anfitriões se articulam entre cidades, reservam a casa seguinte, combinam o táxi coletivo e sabem o que está aberto — o que num país onde a informação em linha é escassa vale mais do que qualquer aplicação. E o dinheiro fica com famílias. Reserve as primeiras noites antes de partir e deixe as restantes à rede.

Como é a internet?

Limitada, lenta e não é para contar com ela. O acesso faz-se sobretudo por cartões pré-pagos e em pontos de acesso da operadora nacional, praças e átrios de hotel, e mesmo aí a velocidade não suporta o uso a que se está habituado. A consequência prática é que a viagem tem de ser autossuficiente em informação: descarregue mapas offline da ilha inteira, guarde moradas e contactos dos alojamentos em papel além do telemóvel, leve as confirmações impressas, e instale um tradutor offline se o seu espanhol for fraco. Avise também família e trabalho de que estará pouco contactável, em vez de o descobrirem sozinhos. Muitos viajantes acabam por classificar esta desconexão como uma das melhores partes da viagem, mas isso só funciona quando é planeada.

Como se circula entre cidades?

Sobretudo em táxi coletivo — carros partilhados entre cidades que são o meio prático e flexível de circular, combinados na véspera através do anfitrião do alojamento onde está, e que costumam ser mais rápidos e mais convenientes do que a alternativa. Existem também autocarros de longo curso vocacionados para visitantes, confortáveis mas com horários fixos e necessidade de reserva antecipada, sobretudo na época alta. Dentro das cidades, os automóveis clássicos funcionam como táxis: negoceie sempre o preço antes de entrar, porque não há taxímetro e acertar depois nunca corre bem. Alugar carro é possível mas exige planeamento próprio, com atenção à disponibilidade de combustível. Em qualquer caso, conte por horas e não por quilómetros e não encadeie duas deslocações longas no mesmo dia.

Quantos dias são precisos?

Dez dias dão uma primeira viagem equilibrada e sem correria. A repartição que funciona melhor: quatro noites em Havana, que precisa mesmo desse tempo para se caminhar sem lista; duas ou três em Viñales, a oeste, pelo vale do tabaco e pelo ritmo rural; e três em Trinidad, no centro, pela cidade colonial, pela serra acima dela e pela praia próxima. Com uma semana, corte Viñales ou Trinidad, e não os dois. Com duas semanas, acrescente o oriente da ilha e Santiago de Cuba, que é o berço do son e tem um carácter bastante distinto do ocidente — mas conte com a distância, que é considerável. E deixe folga no plano: aqui os imprevistos são mais frequentes do que a média, e um roteiro apertado transforma cada um deles num problema.

A Visaja mantém em revisão contínua os contatos e as informações de visto desta página; ainda assim, as exigências mudam sem aviso — confirme o essencial com a missão ou o portal oficial antes de viajar.