Os portugueses precisam de visto para o Reino Unido?
Não — as visitas continuam livres de visto: turismo, família, reuniões de trabalho e cursos curtos, com estadas até seis meses. O que mudou a 2 de abril de 2025 foi o pré-requisito: passou a ser obrigatória uma Electronic Travel Authorisation (ETA), uma autorização digital pedida em linha antes da partida e associada eletronicamente ao passaporte. Quem conhece a ESTA americana reconhece o modelo — esta é a versão britânica.
Para os portugueses há uma segunda mudança, mais antiga e mais traiçoeira: o Cartão de Cidadão deixou de ser aceite em outubro de 2021. Só o passaporte abre a porta do Reino Unido — e é nele que a ETA fica registada. Quem fez a última escapadinha a Londres com o CC na carteira precisa hoje de tratar de duas coisas, pela ordem certa: primeiro o passaporte, depois a autorização.
E desde 25 de fevereiro de 2026 não há tolerância: as transportadoras são obrigadas a verificar a autorização digital de cada passageiro antes do embarque. Este guia percorre o pedido passo a passo, o custo e a validade, quem está isento — um capítulo importante para a comunidade portuguesa no Reino Unido —, quando é preciso visto e o que se passa nas escalas. Para o destino: o guia do Reino Unido.
O que é a ETA — e o que não é
A ETA é uma triagem prévia para visitantes isentos de visto, não um visto: sem marcação consular, sem entrevista, sem vinheta no passaporte. O pedido segue em linha, o Ministério do Interior britânico cruza os dados do passaporte com as bases de segurança e a aprovação fica guardada digitalmente. Cobre todo o Reino Unido e ainda Jersey, Guernsey e a Ilha de Man.
O âmbito é o da visita: férias, família e amigos, reuniões e feiras, estudos até seis meses — o curso de inglês clássico cabe por inteiro. Trabalhar para um empregador britânico, emigrar ou casar no Reino Unido ficam de fora; esses projetos seguem pelos vistos próprios, descritos mais abaixo.
Uma nota que vale para qualquer autorização deste género: a ETA aprovada dá direito a embarcar, não garante a entrada. A decisão final pertence à Border Force à chegada — ainda que, na prática, os portugueses passem pelas eGates automáticas em poucos minutos.
- 1A app 'UK ETA' ou o formulário em linha: A aplicação oficial (App Store / Google Play) lê o chip do passaporte, tira a fotografia do rosto e conduz as perguntas — uns dez minutos; o formulário web pede o mesmo com fotografias carregadas à mão. Quem preferir entregar a pasta pode recorrer a um serviço de vistos que prepara e confere o pedido de fio a pavio.
- 2O passaporte da viagem — o CC fica em casa: A ETA pede-se com o passaporte que servirá na viagem; o Cartão de Cidadão não participa em nada. Se o passaporte está perto de caducar, renove primeiro: um passaporte novo torna a ETA antiga inútil.
- 320 libras por pessoa, crianças incluídas: A taxa é de 20 £ por pedido no momento em que escrevemos — cartão, Apple Pay ou Google Pay — e não é devolvida em caso de recusa. Cada viajante precisa da sua própria ETA, bebés e crianças incluídos; os pais pedem em nome deles.
- 4Respostas exatas às perguntas de segurança: O formulário pergunta por antecedentes criminais e infrações migratórias passadas. A avaliação é automática: com um historial complicado, o visto de visitante — analisado por um funcionário — é muitas vezes o ponto de partida mais sensato.
- 5Esperar pelo e-mail de aprovação antes de partir: A maioria das decisões chega em menos de um dia; a indicação oficial é contar com três dias úteis. A aprovação chega por e-mail com uma referência de 16 dígitos e fica ligada ao passaporte — nada para imprimir, mas sem esse e-mail não se parte.
Dois anos de Reino Unido num único pedido
Uma ETA aprovada vale dois anos — ou até o passaporte caducar, o que acontecer primeiro — com entradas ilimitadas e até seis meses por visita. Para quem visita os filhos em Londres, para o consultor com clientes britânicos ou para o fim de semana recorrente, é um trâmite único por passaporte.
Duas ressalvas: a renovação do passaporte implica sempre uma nova ETA, seja qual for o prazo restante; e os seis meses por visita são uma margem de visitante — encadear estadas longas para viver de facto no Reino Unido é o padrão que a Border Force procura, e pode acabar numa recusa de entrada.
- A comunidade portuguesa com settled status: Centenas de milhares de portugueses vivem no Reino Unido com o settled ou pre-settled status do acordo do Brexit — e não precisam de ETA: esse estatuto já é a autorização digital que a transportadora consulta ao ler o passaporte. O mesmo vale para vistos britânicos em vigor e para as autorizações de Jersey, Guernsey e Ilha de Man.
- Dupla nacionalidade luso-britânica: Os cidadãos britânicos e irlandeses estão fora do sistema — nem podem pedir uma ETA. Quem tem as duas nacionalidades viaja com o passaporte britânico ou leva um «certificate of entitlement» no português; apresentar-se só com o passaporte português, sem ETA, significa ficar em terra.
- Trabalhar, estudar a sério, casar: o visto: Um contrato de trabalho exige o visto Skilled Worker com patrocínio; uma licenciatura ou mestrado, o visto de estudante; casar no Reino Unido, a sua categoria própria. Tudo se trata em linha antes da viagem, com marcação biométrica. A representação britânica em Portugal é liderada pela Embaixada Britânica em Lisboa.
- ETA recusada: resta o visto de visitante: Uma recusa não fecha a porta. A Standard Visitor Visa continua disponível — mais lenta e mais cara, mas avaliada por um funcionário com o processo completo à frente, em vez do filtro automático.
Escalas, fiscalização e a letra pequena
Nas escalas em Londres — a caminho da América do Norte, por exemplo — a regra gira em torno do controlo de fronteira: quem fica airside, no mesmo bilhete e sem passar a imigração britânica, hoje não precisa de ETA; quem recolhe bagagem, junta reservas separadas ou pernoita precisa dela por inteiro. A isenção é assumidamente provisória e as companhias aplicam-na de forma desigual: confirme com a sua — ou peça a ETA por 20 £ e viaje descansado.
Vale ainda separar os sistemas: a ETA britânica nada tem que ver com as regras do espaço Schengen — desde o Brexit, o Reino Unido é uma jurisdição à parte, com requisitos próprios. A viagem Lisboa–Londres–Dublin, por exemplo, toca três regimes distintos: Schengen à partida, ETA no Reino Unido e as regras irlandesas próprias na República da Irlanda.
Desde 25 de fevereiro de 2026, a fiscalização é total: sem autorização digital — ETA, eVisa ou visto — nenhuma transportadora pode embarcar o passageiro, no avião como no ferry. Com decisões a chegar geralmente em horas, a regra prática é simples: a ETA pede-se no dia em que se compra a viagem.
Os portugueses precisam de visto para o Reino Unido?
Não para visitas: turismo, família, negócios e cursos até seis meses continuam sem visto. Desde 2 de abril de 2025 é obrigatória a ETA (Electronic Travel Authorisation), pedida em linha antes da partida e ligada ao passaporte.
Posso entrar no Reino Unido com o Cartão de Cidadão?
Não. Desde outubro de 2021 o Reino Unido só aceita passaporte dos cidadãos da UE — o CC não serve, nem para adultos nem para crianças. E a ETA regista-se precisamente no passaporte: sem ele, não há pedido possível.
Quanto custa a ETA e quanto tempo demora?
20 £ por pessoa no momento em que escrevemos, sem reembolso. A maioria dos pedidos é aprovada em menos de um dia; oficialmente convém contar com até três dias úteis e partir apenas com o e-mail de aprovação recebido.
Qual é a validade da ETA?
Dois anos, ou até o passaporte caducar se for antes — com entradas ilimitadas e estadas até seis meses cada. Um passaporte novo implica uma ETA nova.
As crianças também precisam de ETA?
Sim, cada viajante desde bebé precisa da sua, cada uma com as suas 20 £. Os pais ou responsáveis fazem o pedido pelos menores — também nas viagens de estudo organizadas a partir de Portugal.
Tenho settled status — preciso de ETA?
Não. O settled ou pre-settled status é já a autorização digital que a companhia vê ao ler o passaporte. A ETA destina-se apenas a visitantes sem qualquer estatuto britânico.
Faço escala em Londres a caminho de Nova Iorque. Preciso de ETA?
Só se passar o controlo de fronteira britânico. Escala airside no mesmo bilhete: hoje não. Bagagem para recolher, reservas separadas ou uma noite em Londres: sim. A isenção pode mudar — confirme com a companhia ao reservar.
E se a ETA for recusada?
As 20 £ não são devolvidas e não há recurso, mas pode pedir a Standard Visitor Visa, em que um funcionário analisa o processo completo. Com antecedentes criminais, começar por essa via é muitas vezes o caminho mais eficiente.
GOV.UK — Electronic Travel Authorisation (ETA)
O guia oficial do governo britânico, com acesso ao pedido (em inglês).
GOV.UK — Check if you need a UK visa or ETA
O verificador oficial por nacionalidade e motivo da viagem — Portugal incluído.
GOV.UK — Standard Visitor visa
A rota de visto para os casos fora da ETA: recusas, estadas longas, outros propósitos.
GOV.UK — «No permission, no travel»: anúncio da fiscalização
O comunicado oficial sobre a verificação obrigatória pelas transportadoras desde 25 de fevereiro de 2026.
Prefere o pedido preparado e conferido — dados, fotografias e respostas revistos antes do envio — para ter a ETA aprovada à primeira?
Pedir a ETA para o Reino Unido